07/03/2017

Pigmalião

Pigmalião encontrou tanta malvadez nas mulheres que acabou por abominar o outro sexo e resolveu viver solteiro. Ele era escultor e tinha feito com assombrosa perícia uma estátua de tal beleza que nenhuma mulher viva  a conseguia igualar ou sequer aproximar. Era de facto o perfeito semblante de uma rapariga aparentemente viva e que só a modéstia impedia de se mover. A arte era tão perfeita que se escondia a ela mesma, e o produto aparecia como o trabalho da natureza. Pigmalião admirava o seu próprio trabalho ao ponto de se apaixonar pela criação artificial. Muitas vezes punha a mão sobre ela para se assegurar se estava viva ou não, e nem mesmo então podia acreditar que fosse apenas marfim. Acariciava a estátua e dava-lhe presentes tal como os que jovens gostam de receber - conchas cintilantes e pedras polidas, pequenos pássaros e flores de diferentes tonalidades, contas e âmbar. Cobriu de vestuário os seus membros, colocou jóias nos dedos e uma gargantilha à volta do pescoço. Nas orelhas pendurou brincos e colares de pérolas ao peito. O vestido ficava-lhe bem e ela não parecia menos encantadora do que quando despida. Estendeu-a num canapé coberto de panos púrpura de Tito, chamou-lhe sua mulher e pôs-lhe a cabeça sobre uma almofada das penas mais suaves como se ela pudesse desfrutar dessa suavidade. O festival de Vénus estava próximo - um festival celebrado com grande pompa em Chipre. Eram oferecidas vítimas, os altares fumegavam e o odor de incenso enchia o ar. Quando Pigmalião tinha já executado a sua parte nas solenidades, deteve-se diante do altar e timidamente disse: «Ó deuses que tudo podeis, dai-me, rogo-vos, para minha mulher» - não se atreveu a dizer «a minha virgem de marfim», mas disse em vez - «uma como a minha virgem de marfim.» Vénus, que estava presente no festival, ouviu-o e conheceu o pensamento que ele teria proferido; como presságio dos seus favores fez com que a chama no altar surgisse três vezes num ponto de fogo no meio do ar. Quando ele voltou a casa foi ver a estátua e, inclinando-se sobre o canapé, deu-lhe um beijo na boca. Parecia estar quente. Premiu de novo os lábios, pôs as mãos sobre os membros; sentiu o marfim suave ao toque e ceder aos seus dedos como a cera de Himeto. Espantado e feliz, embora duvidando e temendo que se estivesse a enganar, uma e outra vez com o ardor de um amante que toca o objeto das suas esperanças. Estava de facto viva! As veias, quando comprimidas, cediam aos dedos e de novo reaviam a sua redondeza. Por fim, o devoto de Vénus encontrou palavras para agradecer à deusa e colocou os seus lábios sobre os lábios tão reais como os seus. A virgem sentiu os beijos e corou, e abrindo os olhos tímidos à luz fixou-os no seu apaixonado. Vénus abençoou as núpcias que ela tinha proporcionado e desta união nasceu Pafo, de quem a cidade consagrada a Vénus recebeu o nome.

Schiller, no poema «Os Ideais», aplica o conto de Pigmalião ao amor  da natureza no coração de um jovem. A seguinte tradução foi fornecida por um amigo:

Fluindo na paixão, com orações,
Pigmalião um dia a pedra abraçou,
Até que do mármore frio, quente rubor,
Luz dos sentidos sobre ele brilhou;
Assim apertei eu com devoção
A natureza brilhando no peito de um poeta;
Até que o sopro, o calor e o movimento
Pareceram irromper pela estatuária.

Então, todo o meu ardor partilhado,
A silenciosa forma achou expressão;
Retribuiu o meu beijo de jovem ousadia
E entendeu o veloz pulsar do coração.
Aí viveu p'ra mim a natureza,
O ribeiro de prata soou sua canção,
As árvores e as rosas partilharam sensações,
Ecos da minha vida ilimitada.

                                                        S.G.B.


 

31/01/2017

Glauco e Cila

Glauco era um pescador. Um dia tinha as redes para terra e tinha apanhado muitos peixes de diferentes espécies. Esvaziou a rede e procedeu à escolha dos peixes na relva. O lugar onde se situava era uma belíssima ilha no meio do rio, local solitário, desabitado, não usado para pastagem de gado, nem visitado por alguém a não ser ele. De repente, os peixes, que tinham sido depositados na relva, começaram a reviver e a mover as barbatanas como se estivessem na água; e, enquanto ele olhava atónito, todos eles se passaram para a água, mergulharam e nadaram para longe. Não sabia o que pensar daquilo, se algum deus o teria feito, ou se um estranho poder escondido na erva. «Que erva tem tal poder?» - exclamou, e agarrando uma porção provou-a. Mal tinham os sumos da planta atingido o seu paladar quando se sentiu agitado por um intenso desejo de água. Não se podendo conter mais disse adeus à terra e mergulhou na corrente. Os deuses da água receberam-no graciosamente e admitiram-no à honra da sua sociedade. Obteram o consentimento de Oceano e de Tétis, soberanos do mar, para que tudo o que nele era mortal fosse lavado. Cem rios derramaram sobre ele as suas águas. Então perdeu todo o sentido da sua anterior natureza e toda a consciência. Quando recuperou encontrou-se a si mesmo transformado em forma e mente. O cabelo era agora verde-mar e pendia atrás dele sobre as águas; os ombros alargaram e o que tinham sido coxas e pernas assumiu a forma da cauda de um peixe. Os deuses marinhos cumprimentaram-no pela sua nova aparência e ele achou-se uma figura com muito bom aspecto.
Um dia Glauco viu a bela ninfa Cila, a favorita das ninfas das águas, vagueando na praia e, quando ela encontrou um recanto abrigado, viu-a lavar os seus membros nas águas claras. De imediato se apaixonou por ela e, mostrando-se à tona da água, disse-lhes coisas que achou capazes de a convencer  a ficar; pois ela ao vê-lo tinha-se logo virado e fugido até alcançar um penhasco sobre o mar. Aqui parou e voltou-se para observar se se tratava de um deus ou um animal marinho, notando com espanto a sua cor e forma. Glauco, parcialmente emergindo da água e apoiando-se numa rocha, disse: «Donzela, não sou nenhum monstro, nem um animal marinho, mas um deus; e nem Proteu nem Tritão têm estatuto superior ao meu. Em tempos fui mortal  e do mar tirei o meu sustento, mas agora pertenço-lhe completamente.» Contou depois a história da sua metamorfose e de como tinha sido promovido à sua presente dignidade; e acrescentou: «Mas de que serve tudo isto se não consegue mover o teu coração?» Ele continuou neste tom mas Cila já se tinha virado e ido embora.
Glauco estava em desespero mas ocorreu-lhe consultar a feiticeira Circe. Apareceu então na sua ilha - a mesma onde Ulisses mais tarde desembarcou, como veremos numa história posterior. Depois de mútuas saudações disse-lhe ele: «Deusa, imploro a tua piedade; só tu podes aliviar a pena de que sofro. Os poderes das ervas conheço tão bem como outros, pois a elas devo a minha mudança. Amo Cila. Envergonho-me de te dizer como a cortejei e o que lhe prometi e como ela desdenhosamente me tratou. Peço-te que uses os teus encantamentos ou ervas potentes se elas forem de maior efeito, não para me curares do meu amor - pois isso não desejo - mas para que ela o partilhe e retribua meu afecto.» Ao que Circe retorquiu, não tendo ficado insensível aos encantos da divindade verde-mar. «Melhor fora se perseguisses um objecto de ti desejoso; és digno de ser procurado em vez de procurares em vão. Não sejas tímido, conhece o teu valor. Asseguro-te de que eu mesma, deusa como sou, e conhecedora das virtudes de plantas e encantamentos, não te saberia recusar. Se ela te despreza, despreza-a também. Vai ao encontro de alguém pronto a te encontrar a meio caminho e retribuam ambos assim o que é devido.» A estas palavras Glauco replicou: «Mais fácil é crescerem árvores no fundo do oceano e algas no topo das montanhas do que eu cessar de amar Cila e Cila apenas.»
A deusa indignou-se mas não podia puni-lo, nem desejava fazê-lo, pois amava-o demais; virou toda a sua ira contra a sua rival, a pobre Cila. Pegou em plantas de poderes venenosos e misturou-as juntamente com encantos e feitiços. Passou depois por uma multidão de bestas saltitantes, vítimas da sua arte, e prosseguiu até às costas da Sicília, onde vivia Cila. Havia uma pequena baía na praia que Cila costumava frequentar no calor do dia para respirar o ar do mar e banhar-se nas suas águas. Aqui a deusa derramou a sua mistura venenosa, pronunciando sobre ela palavras mágicas de portentoso poder. Cila veio como de costume e mergulhou nas águas até à cintura. Qual foi o seu horror quando se viu rodeada de uma ninhada de serpentes e de monstros a ladrar! A princípio não podia imaginar que eles fossem parte de si própria e tentava fugir-lhes e afastá-los; mas se fugia levava-os com ela, se tentava tocar as suas pernas as mãos apenas tocavam as mandíbulas abertas dos monstros. Cila criou raízes no lugar. O seu temperamento tornou-se tão feio quanto a sua forma e ela deliciava-se em devorar os marinheiros infelizes que passassem ao seu alcance. Assim destruiu seis dos companheiros de Ulisses e tentou fazer naufragar o navio de Eneias. Por fim foi transformada numa rocha e como tal continua a ser o terror dos marinheiros.
Keats, em Endimíon, concebeu uma nova versão para o final de Glauco e Cila - Glauco dá o seu consentimento às palavras lisonjeiras de Circe, até que por acaso assiste às transações da feiticeira com os seus animais. Repugnado com as suas traições e crueldade, tenta escapar-lhe mas é apanhado e trazido de volta. Repreendendo-o, ela bane-o e condena-o a passar mil anos em decrepitude e dor. Ele regressa ao mar onde encontra o corpo de Cila que a deusa não tinha transformado, mas afogado. Glauco conhece então que o seu destino é o de ser ajudado por um jovem amado pelos deuses que aparecerá se ela passar os seus mil anos colhendo todos os corpos dos amantes afogados. Endímion cumpre esta profecia e ajuda a restaurar a juventude de Glauco e a vida de Cila e de todos os amantes afogados.
Os versos seguintes de Keats mostram os sentimentos de Glauco depois da metamorfose marinha:

Mergulhei, para viver ou morrer. Entrelaçar
Nossos sentidos com matéria tão densa a respirar
Pode parecer penosa carga; espanto é pois
Que tão suave e cristalino eu sentisse,
E leve o espaço à minha volta. De início,
Dias e dias fiquei em pura admiração,
Minha meta esquecendo totalmente,
Movendo-me com a enchente e a vazante.
Depois, como novo passarinho a querer mostrar
Novas penas no fresco da manhã.
Tentei a medo as asas da vontade.
Era a liberdade! E de imediato visitei
As maravilhas sem fim do oceano...



25/01/2017

Prosérpina

Quando Júpiter e seus irmãos derrotaram os Titãs e os baniram para o Tártaro, um novo inimigo se levantou contra os deuses. Eram eles os gigantes Tífon, Briareu, Encéfalo e outros. Alguns deles tinham cem braços, outros respiravam fogo. Foram por fim submetidos e enterrados vivos sob o monte Etna, onde ainda por vezes se debatem para se libertarem e abanam toda a ilha com tremores de terra. A sua respiração vem através da montanha e é o que os homens chamam a erupção do vulcão.
A queda destes monstros abanou a terra, de tal modo que Plutão se alarmou e receou que o seu reino se abrisse à luz do dia. Sob o efeito desta apreensão, subiu para o seu carro, puxado por cavalos negros, e fez um circuito de inspeção para se inteirar da extensão dos estragos. Enquanto assim se ocupava, Vénus, sentada no monte Eriza e brincando com o jovem Cupido, espiou-o e disse para o rapaz: «Meu filho, pega nas tuas setas com que conquistas tudo, mesmo o próprio Júpiter, e atira uma ao peito daquele monarca escuro, além, que governa no reino do Tártaro. Porque há-de ser ele o único a escapar? Agarra a oportunidade para estenderes o teu império e o meu. Não vês que mesmo no céu alguns desprezam o nosso poder? Minerva, a sábia e Diana, a caçadora, desafiam-nos; e há a filha de Ceres que ameaça seguir o exemplo delas. Se tens nalguma conta o teu interesse e o meu, junta agora estes dois num só.» O rapaz desapertou a sua aljava e selecionou a seta mais afiada e fiel; depois, dobrando o arco de encontro ao joelho, colocou a corda e, estando tudo pronto, disparou a seta farpada mesmo no centro do coração de Plutão.
No vale de Ena existe um lago envolvido em bosques que o protegem dos ferventes raios do sol, enquanto o solo húmido se cobre de flores e a Primavera reina perpetuamente. Aqui Prosérpina brincava com as suas companheiras, colhendo lírios e violetas, enchendo de flores os baldes e os aventais, quando Plutão a viu, a amou e a arrebatou. Ela gritou por socorro, chamou pela mãe e pelas companheiras e quando, aterrorizada, largou as pontas do avental e deixou cair as flores, como criança sentiu que a perca aumentava a sua dor. O raptor incitou os corcéis, chamando-os pelos nomes e lançando soltas, sobre as cabeças e pescoços, as rédeas cor de ferro. Quando atingiu o rio Ciáneo e este se opôs à sua passagem, perfurou a margem com o tridente e a terra abriu-se e deu-lhe passagem para o Tártaro.
Ceres procurou a filha por todo o mundo. A Aurora de cabelos brilhantes, quando apareceu pela manhã, e Héspero, quando conduziu as estrelas à noitinha, encontraram-na ainda ocupada na busca. Mas foi tudo em vão. Por fim, cansada e triste, sentou-se numa pedra e aí continuou por nove dias e nove noites, ao ar livre, debaixo do sol, da lua e da chuva. Era onde fica agora a cidade de Elêusis, o então lar de um velho chamado Céleo. Ele estava nos campos colhendo bolotas, amoras e paus para o fogo. A sua filha conduzia a casa as duas cabras e, ao passar pela deusa que se apresentava com o aspecto de uma velha, disse-lhe ela: «Mãe» - e o nome era doce aos ouvidos de Ceres - «porque te sentas aqui sozinha sobre estas rochas?» O velho também parou, embora a sua carga fosse pesada, e pediu-lhe que entrasse na sua cabana, tal como era. A deusa declinou o convite e ele insistiu. «Vai em paz», replicou ela, «sê feliz com a tua filha que eu perdi a minha.» Ao falar, lágrimas - ou algo parecido com lágrimas, pois os deuses nunca choram - escorregaram pelas maçãs do seu rosto até ao peito. Compassivos, o velho e a criança choraram com ela. Ele disse então: «Vem connosco, não desprezes o nosso humilde tecto; possa a tua filha ser-te entregue em segurança.» «Conduz-me», disse ela, «não posso resistir a esse apelo!» Ela levantou-se da pedra e foi com eles. Enquanto caminhavam o velho disse-lhe que o seu único filho, um pequeno rapaz, estava acamado, muito doente, febril e sem dormir. Ela parou e colheu algumas papoilas. Ao entrarem dentro de casa encontraram tudo em grande angústia pois parecia não haver mais esperança para o rapaz. Metanira, sua mãe, recebeu-a amavelmente e a deusa curvou-se e beijou os lábios da criança doente. Instantaneamente a palidez abandonou a sua face, e um vigor saudável regressou ao seu corpo. Toda a família se alegrou - isto é, o pai, a ma~e e a rapariguinha, pois não havia criados. Prepararam a mesa e sobre ela puseram coalhada, natas e mel no favo. Enquanto comiam, Ceres misturava sumo de papoila no leite do rapaz. Quando a noite chegou e tudo estava em sossego, ela levantou-se e pegando no rapaz adormecido moldou-lhe os membros com as mãos e pronunciou três vezes sobre ele um encantamento solene, após o que o colocou nas cinzas. A mãe, que tinha estado a ver o que a convidada fazia, saltou com um grito e arrancou o rapaz do fogo. Então Ceres assumiu a sua forma e um esplendor divino brilhou a toda à volta. Por entre o espanto que a todos dominava, Ceres disse: «Mãe, foste cruel no teu apego ao teu filho. Eu tê-lo-ia tornado imortal mas tu frustraste a minha tentativa. De qualquer modo ele será grande e útil. Ensinará aos homens o uso do arado e as recompensas que o trabalho pode conseguir da terra cultivada. » Assim dizendo, envolveu-se numa nuvem e subindo para o carro desapareceu.

06/01/2017

Males do Anto


I

A ares numa aldeia

Quando cheguei aqui, Santo Deus! como eu vinha!
Nem mesmo sei dizer que doença era a minha,
Porque eram todas, eu sei lá! Desde o Ódio ao Tédio.
Moléstias d'Alma para as quais não há remédio.
Nada compunha! Nada, nada. Que tormento!
Dir-se-ia acaso que perdera o meu talento:
No entanto, às vezes, os meus nervos gastos, velhos,
Convulsionavam-nos relâmpagos vermelhos,
Que eram, bem o sentia, instantes de Camões!
Sei de cor e salteado as minhas aflições:
Quis partir, professar num convento de Itália,
Ir pelo Mundo, com os pés numa sandália...
Comia terra, embebedava-me com luz!
Êxtases, espasmos da Teresa de Jesus!
Contei naquele dia um cento de desgraças.
Andava, à noite, só, bebia a Noite às taças.
O meu cavaco era o dos Mortos, o das Loisas.
Odiava os Homens ainda mais, odiava as Coisas.
Nojo de tudo, horror! Trazia sempre luvas
(Na aldeia, sim!) para pegar num cacho d'uvas,
Ou numa flor. Por causa dessas mãos... Perdoai-me,
Aldeões! eu sei que vós sois puros. Desculpai-me.
Mas, através da minha dor, da tempestade,
Sentia renascer minha antiga bondade
Nesta alma que a perdera. Achava-me melhor.
Aos pobrezinhos enxugava-lhes o suor.
A minha bolsa pequenina, de estudante,
Era prós pobres (E é e sê-lo-á doravante.)
E ao vir das tardes, ao passar por um atalho,
Eu ia olhando o chão, embora com trabalho,
Pois os meus olhos não podiam de fadigas,
Pra não pisar os carreirinhos das formigas
Que andam, coitadas! noite e dia, a carregar.
E com vergonha, para ninguém me ver chorar,
Lívido, magro, como um espeto, uma tocha,
Costumava esconder-me em uma certa rocha ,
Que, por sinal, tinha o feitio de um gabão,
E punha-me a chorar, a chorar  como um leão!
Tinha as vozes do Mar, pregando em seu convento,
E a gesticulação dos pinheirais ao Vento!

Ó Dor! ó Dor! Cala, ó Job, os teus ais,
Que os tem maiores este filho de seus Pais!
Ó Cristo! cala os ais na tua ígnea garganta,
Ó Cristo! que outra dor mais alta se alevanta!

Meu pobre coração toda a noite gemia
Como num Hospital...